"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos.Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos.
Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar"
( Eduardo Galeano)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Entrevista: Antônio Erismar

O blog publica entrevista exclusiva como o vice-prefeito de Açailândia, Antônio Erismar (PT), que fala sobre a experiência de ser vice-prefeito de uma das maiores cidade do Maranhão e de poder trabalhar sem maiores problemas com o prefeito Ildemar Gonçalves, do PSDB: “O prefeito Ildemar Gonçalves possibilita que, de fato, o PT exerça em conjunto o mandato confiado pelo povo”, afirma.

Erismar também conta ao blog como foi a trágica experiência do grave acidente que sofreu de automóvel na BR 010, no qual o veículo que estava, além de outras pessoas, ficou completamente destruído. “Deus quis que todos nós ficássemos vivos. O policial rodoviário afirmou que em 16 anos de profissão, nunca tinha visto algo parecido, ou seja, escapar todos de um acidente como aquele”.

Nascido em 06 de março de 1971, na cidade de Colinas do Goiás, hoje do Tocantins, Erismar é número quarto dos cinco filhos da união entre Antônio Vieira de Castro, (falecido há seis meses) e Maria Laismar de Castro Feitosa.
Militante da Pastoral da Juventude desde 1987, ex-assessor da Diocesana da Diocese de Imperatriz, sócio-fundador do Sindicato dos Servidores Públicos de Açailândia – SINTRASSEMA, membro da diretoria por dois mandatos, sócio-fundador do CDVDH – Açailândia ( Centro de Defesa ) e da Rádio Comunitária ARCA FM, Antônio Erismar é filiado ao Partido dos Trabalhadores deste maio de 1999. Após disputar duas eleições para vereador (2000 e 2004) elege-se vice-prefeito de em 2008 numa aliança PT/PSDB.
Abaixo, a íntegra da entrevista.

"Devemos levar em conta o que nos une e não o que nos separa”

Como é a experiência de ser vice-prefeito de uma importante cidade como Açailândia administrada por um prefeito do PSDB?

Erismar: É uma honra está vice–prefeito de uma cidade como Açailândia, por tudo que representa para sua gente, vinda das mais diversas regiões do estado e do país, e para o estado, em todos aspectos. Encaro todos os desafios da minha vida como um grande aprendizado. O fato do prefeito ser do PSDB não inibe o papel que tenho desempenhado no meu mandado, pois este tem raizes nos movimentos sociais, e da luta histórica dos trabalhadores que tem hoje uma referência no governo.

Há uma relação harmônica, solidária entre o senhor e prefeito Ildemar Gonçalves?
Erismar: Sim. Em 2009 a política de Açailândia experimentou um novo momento: prefeito e vice–prefeito trabalhando juntos. No dia 05 de abril, assumi o cargo de prefeito, permanecendo por 60 dias, fato nunca acontecido antes em vinte e oito anos de história de Açailandia. O prefeito Ildemar Gonçalves possibilta que, de fato, o PT exerça em conjunto o mandato confiado pelo povo à chapa Ildemar e Antonio Erismar. Não falta as condições necessárias para o desempenho do mandato do vice prefeito.

Você acha que poderia haver, no caso do Maranhão, uma relação mais amistosa entre o PT e o PSDB ou Açailândia é um caso a parte?
Erismar: Não posso dizer que Açailandia é um caso a parte, pois não é o único caso, vejamos: Carolina já está no segundo mandato PSDB – PT, Formosa da Serra Negra também tem PSDB – PT, como vários municípios têm parceirias entre os dois partidos [na cidade de Coelho Neto também existe a aliança PT/PSDB], não sei qual é o comportamento nos outros municípios. Esses dois partidos têm projetos nacionais antagônicos, o PT mostrou nesses sete anos de governo que tem um programa melhor para o povo brasileiro e o colocou em prática, o que dificulta essa aproximação como muitos defendem.

O PT e o PSDB têm um histórico de resistência ao grupo Sarney, não é verdade?
Erismar: Sim. O Papa João Paulo II lutou muito pra ver o Ecumenismo em prática, “devemos levar em conta o que nos une e não do que nos separa”, e foi nesse sentido que os dois partidos andaram juntos nas eleições de 2006, Os Sarneys perderam a eleição, a Frente de Libertação ganhou, porém, no governo, a disparidade foi grande, pois enquanto o PSDB ficou no núcleo de comando do governo, o PT ficou na periferia com secretarias extra-ordinárias, o resultado você sabe melhor do que eu.

Há alguma política pública do PT implantada na administração do prefeito Ildemar?
Erismar: Posso apontar como conquista dos trabalhadores e do PT, a criação da Secretaria de Agricultura, onde podemos implementar ações voltadas para o apoio as agricultores familiares, entre eles destaco o PAA Municipal, hoje os trabalhadores fazem parte do governo. A implatação do Programas sociais do Governo Lula são implementadas e são dados os créditos a quem de fato os tem. O governo Lula não é “escondido” o PT governa Junto.

Há possibilidade do prefeito Ildemar apoiar uma eventual candidatura do senhor a prefeito no futuro?
Erismar: Meu avô gostava do ditado “o que é combinado não é caro”. Quando fechamos a coligação para 2008 não tratamos de 2010 e nem de 2012. O PT vem trabalhando para ser a alternativa para o povo de Açailandia e chegar à prefeitura, isso não é feito às escondidas do prefeito Ildemar e do PSDB. Temos um diálogo franco, temos quatro anos para construir nosso espaço.

Como o PT de Açaiçândia está se preparando para as eleições de 2010?
Erismar: A nossa aliança não é uma aliança programática, nem ideológica, muito menos de submissão partidária ou à administração Ildemar. Por exemplo, nas eleições de 2006 nós petistas votamos e fizemos campanha para chapa completa do PT, Lula presidente, Vidigal governador, Bira senador, Washington Luis e Jomar Fernandes deputados federais, Helena Heluy e Valdinar Barros deputados estaduais, sem falar que muitos outros companehiros também foram votados aqui, no segundo turno. Acompanhando a decisão do Diretório Estadual apoiamos e votamos em Jackson Lago. Em 2010 precisamos fotalecer a cadidatura de Dilma presidente, para isso a tese apresentada ao PED – 2009 (chapa única) aponta para uma cadidatura deputado estadual do PT de Açailândia e os movimentos necessário para isso estão sendo feitos com autonomia partidária.

O senhor passou por um momento difícil recentemente, quando sofreu um sério acidente de carro. Como foi essa experiência?
Erismar: Na minha vida só tenho a agradecer a Deus por tudo que tem me acontecido. Deus tem sido muito bom pra mim, esse acidente, na ladeira vermelha, BR 010 sentido Imperatriz, foi muito grave, o veículo que estavamos ficou destruído, mas Deus quis que todos nós ficássemos vivos. Além de mim, estava o motorista, João Batista (Rony) e a Secretária de Agricultura Neide Moraes. Foi no dia 08 de agosto, por volta das nove horas. O policial rodoviário afirmou que em 16 anos de profissão, nunca tinha visto algo parecido, ou seja, escapar todos de um acidente como aquele. Como lição, nós seres humanos não somos nada sem a permissão de Deus, temos que aproveitar o máximo pra fazer o bem enquanto temos a permissão divina de estarmos aqui.

Qual a mensagem que o senhor deixa aos petistas maranhenses?
Erismar: O PT do Maranhão tem muitos formuladores, o que poderia ser uma grande oportunidade de crescimento politico para o nosso partido, porém “perdemos” muito tempo nesse debate sem frutos. É preciso sairmos dessa de “sarneysistas” ou de “petistas emplumados”. Precisamos focar no PT, temos muito a contribuir com o povo maranhense, acredito que seremos fortes se estivermos juntos, essa é uma lógica muito antiga. Espero que o PED 2009, possa trazer uma reflexão que vem da base do PT e possamos contruir um caminho que possamos trilhar juntos e fortes.

O exemplo que vem de Açailândia



A entrevista gentilmente concedida ao blog pelo vice-prefeito petista de Açailândia, Antônio Erismar, me leva à refletir, ainda mais, sobre os rumos da política no Maranhão.
O companheiro Erismar é daquele tipo de ser humano que você não precisa conhecer a fundo para descobrir que se trata de uma boa alma, um bom sujeito, enfim, um grande exemplar da espécie humana. Basta uma rápida conversa, um contato efêmero e você já sai com uma impressão do "cara".


O que motivou a pedir a entrevista com o Erismar foi o desejo de ouvir de um petista da tendência Construindo um Novo Brasil, a mais anti-tucana do Maranhão, como é a experiência de conviver política e administrativamente com um prefeito do PSDB.
As colocações de Erismar, sempre muito lúcidas e francas, fizeram aumentar a minha convicção de que o PT maranhense só não é um aliado do PSDB local por conta de interesses provincianos, projetos pessoais aqui e alhures.
Não há motivo plausível, do ponto de vista da política estadual, que justifique a posição hostil que setores do PT demonstram em relação ao tucanato maranhense. Se agíssemos de forma séria, focados num amplo projeto democrático para o Maranhão, PT e PSDB estariam juntos nesse caminhada de efetiva libertação do nosso estado, tal como aconteceu no estado do Acre, onde os dois partidos se uniram num projeto de sociedade e construíram, junto, um estado mais progressista e mais humano.
Arrisco a afirmar que nem mesmo a polarização da política nacional entre PT e PSDB justifica a hostilidade ao PSDB por parte de alguns setores do petismo local. Seria perfeitamente possível as duas legendas caminharem unidas em torno de um projeto para Maranhão, sem se deixaram influenciar pelas pelejas nacionais que, diga-se de passagem, às vezes passam muito longe de nós.
A experiência de vivência e convivência entre PT e PSDB em Açailândia poderia servir como referência, um laboratório experimental para que as direções estaduais dos dois partidos conversem mais sobre o estado, projetos, objetivos comuns etc.
Ora, se tem companheiros no PT que defendem abertamente uma aliança com o PMDB de Roseana, João Alberto Ricardo Murad, por que eu não posso defender uma aproximação estratégica com o PSDB de Ildemar Gonçalves, Roberto Rocha, Sebastião Madeira, João Castelo etc? Qualitativamente, o que o PMDB maranhense tem de melhor do PSDB?
Por isso que sou um dos maiores entusiastas da idéia de ver as oposições todas unidas em torno de um amplo projeto de centro-esquerda para a sociedade maranhense, independente da liderança ou partido que encabeçasse esse processo, seja do PT, PC do B, PDT, PSDB, PSB etc.
No caso do meu partido, o PT, que o exemplo que vem de Açailândia sirva para que possamos fazer política mais com a cabeça e com o coração, e menos com o fígado. Definitivamente, no caso do Maranhão, o PSDB não é o nosso adversário principal, está longe de sê-lo. Qualquer projeto político-eleitoral do PT, inclusive os dos nossos atuais deputados federais e estaduais, o que é legítimo, podem perfeitamente serem viabilizados num projeto maior que esteja também o PSDB.
Aproveito para parabenizar a sensatez, equilíbrio e maturidade política do companheiro Antônio Erismar que conseguiu transpor os estorvos políticos menores entre o PT e o PSDB, hoje consegue trabalhar com os tucanos em favor da população da cidade de Açailândia.
Que um dia essa realidade possa ser posta à prova a nível estadual num grandioso projeto de vida para todos os maranhenses que se não toleram mais os engodos políticos e administrativos patrocinados pelos pmdb’s e dem’s da vida.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Política e vaidade

No livro de Eclesiastes a Bíblia dá a palavra “vaidade” está escrito: Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade. (Eclesiastes 1:2).
Em todas as atividades humanas a vaidade está presente. Nada de errado na pessoa cultivar as suas vaidades quando essas lhes fazem bem. O problema é quando o culto à vaidade atrapalha os outros ou uma equipe, um grupo.

No território da política esse sentimento parece encontrar uma inacreditável capacidade de nascer, crescer e se multiplicar. É quase sempre a causa de projetos naufragarem e, alguns casos, sequer serem postos à prova.

A vaidade na política cega homens e mulheres que são incapazes de enxergar algo diferente da sua própria imagem projetada no espelho da soberba. Os projetos coletivos são atropelados pela arrogância, quando não abortados de forma violenta pelo projeto do “eu”.

A vaidade na política é pior do que todas as outras porque ela afeta diretamente a vida de terceiros ou, no caso mais apropriado, deixa de afetar, já que o projeto “eu” é por natureza limitado, e quando muito beneficia apenas o político “vaidoso”.
A vaidade na política não escolhe geração para acomodar-se. Pode ser jovem, de meia idade ou idoso, não importa, ela sempre estará disposta a habitar a alma daqueles que, potencialmente, estejam mais dispostos a tocar sonhos individuais do que os coletivos.

Na esquerda a coisa fica pior, pois possui um discurso e uma ética que visa mudar o mundo, a sociedade, enfim, possui uma retórica para construir um novo homem, uma nova mulher. Na direita isso não ocorre, pois não tem compromisso uma utopia ou um projeto de transformação social, então as pessoas tendem a se sujeitar às vaidades de chefes, caciques etc.

Quando a vaidade toma conta de companheiros da esquerda, pronto! As coisas ficam mais difíceis, os discursos solidários perdem o sentido, a luta coletiva se enfraquece e sonho de milhões resume-se a um plano de um homem só, no máximo de um grupelho.

A história recente da política maranhense está repleta de exemplos onde a vaidade “matou” políticos e projetos. E 2010 bate à porta.

Um debate democrático no PT

A pedido de alguns companheiros petistas, o blog reproduz artigo “Para governador…”, de autoria do jornalista e dirigente do PT, o polêmico Henrique Sousa.

Sousa defende a candidatura do deputado Flávio Dino para governador e do petista Bira do Pindaré para o Senado. Antes, porém, gostaria de tecer alguns comentários sobre o artigo do secretário de Comunicação do diretório municipal do PT de São Luis.

O artigo de Henrique surge no momento em que o presidente do estadual do PT deputado Domingos Dutra, coloca, também, o seu nome como para a disputa ao governo do Maranhão.

De certa forma, o artigo do Henrique Sousa não traz grandes novidades, já que sempre foi um árduo defensor da candidatura de Flávio Dino em aliança com o PT. Talvez a forma elegante e gentil que trata José Reinado, seja a única novidade apresentada no artigo do ex-secretário adjunto das Cidades, no governo Jackson Lago.

Contudo, e isso é inegável, o artigo tem de positivo o fomento ao debate democrático, interna e externamente ao PT.

Nesse sentido, devo dizer que discordo frontalmente com a tese defendida no artigo de que uma eventual candidatura própria petista “seria resignar o papel do PT a ridícula condição de laranja do Sarneysismo ou dos tucanos-pedetistas”. Talvez Henrique Sousa tenha sido levado por uma súbita e triste lembrança do que aconteceu com a candidatura do PT, nas eleições de 2002. Não seria o caso em 2010, pode ter certeza, Henrique.

Abaixo, a íntegra do artigo de Henrique Sousa.

PARA GOVERNADOR…

Por LUIS HENRIQUE SOUSA
Flávio Dino. Para Senador Bira do Pindaré. Ombreados pelo PSB (Agora vai?) este é o desenho político a ser perseguido nas eleições do ano que vem por PT e PC do B. Desenho de razoabilidade e maturidade dos dois partidos de esquerda no Maranhão.


Flávio e Bira representam os ventos de mudança na política do Maranhão. Mudanças que não estão restritas ao caráter geracional, podem e devem repercutir as mesmas salutares alterações políticas ocorridas no país, a partir da eleição do presidente Lula. Cada um por seu turno e atuação, são nomes naturais da esquerda para a disputa majoritária em 2010. Constituem emblematicamente o projeto em curso no Brasil e são possuidores de profunda identificação com ele.

Uma chapa que poderá ser complementada com a presença do PSB, na figura do ex-governador Zé Reinaldo, muito embora, pela mesma razoabilidade, o nome do ex-governador fortaleceria muito mais o projeto, se disponibilizado para encabeçar a chapa dos deputados federais. Zé Reinaldo, até sozinho, é garantidor de quociente eleitoral. Bancada federal que será fundamental em quaisquer circunstancias, na condição de situação ou de oposição. Além do que mais de uma candidatura ao senado colocará em risco a potencialidade do pólo de esquerda. Sacrifício (ou sabedoria?) que não diminuirá Zé Reinaldo, muito pelo contrário, seria um gesto altruísta, gesto que ele já foi capaz de fazer na eleição passada, quando permaneceu no cargo e fez o sucessor, ainda que mais tarde a justiça eleitoral o tenha apeado do poder.

Muito embora o PMDB só disponha de um nome competitivo, Roseana ou Lobão, a fragmentação da oposição, considerando ainda a debandada de Vidigal para o consórcio tucano-pedetista, pode inviabilizar o assento no senado e perda do espaço para as chamadas “estruturas de campanha”, hoje, única alternativa dos peemedebistas para garantir as duas vagas em disputa.

Certamente não faltarão vozes petistas a defender candidatura própria, aliás, algumas destas vozes já ecoam. O argumento é que o PT não pode continuar a ser linha auxiliar de poder das demais forças de oposição; que tem que ter proposta e projeto próprio; que o partido precisa fortalecer suas lideranças; abrir picadas na perspectiva de apresentar um plano de desenvolvimento alternativo para Maranhão e, por tabela, que viabilize as candidaturas petistas. Todos estes argumentos seriam válidos, se o PT tivesse unidade e o tal projeto político-eleitoral. Francamente não tem, e se tem, está disperso na disputa interna do partido ou na distancia que os intelectuais petistas guardam das hostes partidárias.

Ao contrário de situações anteriores em que primeiro foi preciso o PT definir o comando, para só depois definir a tática, os caminhos possíveis parecem claros e cristalinos. Nem é preciso esperar pelo PED (eleição interna do PT) para saber quais alternativas estão reservadas para 2010: PMDB de Sarney; PDT tucano; o pólo de esquerda (PT, PC do B e PSB) ou candidatura própria. Portanto, a conjuntura impõe ao partido dos trabalhadores o seguinte recado: não dá pra andar sozinho, tão pouco mal acompanhado.

Da síntese, sozinho ou mal acompanhado, entenda-se como sozinho uma candidatura solo, completamente inviável para garantir eleição de senador, deputados federais, no máximo, exitosa apenas para deputado estadual. Na rica conjuntura, seria resignar o papel do PT a ridícula condição de laranja do Sarneysismo ou dos tucanos-pedetistas. Não tardaria e a campanha presidencial desembarcaria no Maranhão no palanque do PMDB, seguramente, neste caso, mais forte, competitivo e atraente para os interesses do PT nacional (intervenção branca).

Por mal acompanhado entenda-se qualquer aliança que una o PT ao consórcio tucano-pedetista, insustentável (intervenção bruta) ou ao PMDB de Roseana que é a contradição histórica das lutas e sonhos do PT no Maranhão.


É hora de quem sabe fazer. É hora de abrir o debate para o Maranhão que queremos. É hora de construir o Maranhão que podemos. Mão na massa e pé na estrada. Vem, vamos embora, porque o Maranhão é grande.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O que é ser comunista: quatro atitudes


Procurando escrever sobre o sentido do significado de "ser comunista" nestes tempos de absoluto consumismo, culto ao individualismo, fome, desvastação do meio ambiente etc, lembrei do site http://www.vermelho.org.br/ (site do PC do B).

O site lista quatro atitudes essenciais que um comunista deve obedecer e praticar, segundo a doutrina do PC do B. Não quero encerrar o assunto sobre o "ser comunista" com essas atitudes formuladas pelo Partido Comunista do Brasil, mas elas ajudam na minha intenção de chegar próximo ao significado do que já foi o sonho e que orientou o comportamento de milhões de seres humanos no mundo todo, e que ainda continua sendo uma utopia para muita gente, inclusive para o editor do blog.

Ah, quando lia as "quatro atitudes" para ser um comunista do PC do B, lembrei de algumas filiações que o Comitê Estadual do partido, no Maranhão, andou fazendo nestes últimos meses. João Amazonas deve está revirado no seu túmulo.

A seguir, as quatro atitudes de um comunista, conforme o PC do B.

1. Milite
Atuação consciente e organizada
A ação consciente para a mudança e melhoria das condições de vida e trabalho é premissa fundamental do marxismo. A essência da teoria fundada por Marx e Engels é a transformação do mundo, buscando vida harmônica na sociedade e na natureza, a práxis.Nas condições do capitalismo, essa atuação, para ser conseqüente e eficaz, tem que ser social, tem que envolver a ação conjunta das classes sociais interessadas na transformação da sociedade. Tem que ser partidária. Foi essa compreensão que levou o proletariado a organizar-se em partido político e desenvolver alianças com outras classes e setores sociais descontentes com o capitalismo.

Em longa trajetória histórica, o proletariado organizou-se no Partido Comunista, buscando a conquista do poder político em aliança com o campesinato, e colocando o socialismo como a tarefa imediata para levar a sociedade a um estágio superior de organização e convivência, sem exploração do homem pelo homem e sem classes sociais: o comunismo. O Partido Comunista é um instrumento de transformação da sociedade. Expressa a vontade coletiva dos proletários no seu projeto revolucionário. É a atuação consciente dos que compreendem que, sozinhas, as pessoas são impotentes para transformações de grande magnitude nas relações econômicas, culturais, sociais etc.

Militar no Partido Comunista significa atuar organizadamente com outras pessoas que objetivam a transformação revolucionária da sociedade. Hoje significa retomar o processo revolucionário, inaugurado pela Comuna de Paris em 1871 e iniciado pela Revolução Russa de 1917 visando a superação sa sociedade capitalista. Significa, na atuação cotidiana, ter a perspectiva programática do socialismo - envolver o encadeamento de um conjunto de lutas políticas, econômicas e sociais que objetivam a substituição do capitalismo por uma forma superior de organização social.

A militância comunista se dá através da participação numa organização do Partido - e desenvolvemos hoje um empenho especial para que todos os comunistas façam parte de um organismo partidário. Coletivamente, os comunistas, tendo como referência seus objetivos, analisam a sua área de atuação, estabelecem planos e metas a serem alcançadas. Buscam resposta para a solução dos problemas do dia-a-dia do povo, vinculando esses problemas com a perspectiva de mudança da sociedade. Fazem o elo entre a luta específica e o objetivo programático, o socialismo.

Em nosso país, hoje, a atuação cotidiana envolve a luta contra a política neoliberal e entreguista do governo de Fernando Henrique Cardoso, e o trabalho de conscientização e organização constante dos trabalhadores e da população para a luta social, econômica e política transformadora.

A atuação no organismo partidário é a chave para a mobilização do povo em todo o lugar, visando a construção do projeto revolucionário. O Partido Comunista, além de ser o instrumento político e ideológico da transformação radical da sociedade, é também a forma organizada superior de atuação do proletariado na luta pelo poder político. Por isso, militar no PCdoB é fundamental. É a ação política consciente, coletiva e organizada para a construção de uma nova sociedade, digna, justa, socialista. Daí o nosso empenho: nenhum filiado fora de organismo partidário; nenhum filiado sem militância.

2. Contribua
Contribuição militante, um dever partidário

Reza os nossos estatutos nos seus art. 6º e 9º letra "l" que se é plenamente membro do Partido quando se paga as mensalidades estabelecidas. Ao longo dos últimos anos, essa norma não foi exigida, deixando-se que cada militante se comportasse de acordo com sua vontade no que diz respeito ao item "pagar as mensalidades estabelecidas". A repetição desse comportamento, da não exigência do pagamento, por parte das direções, acabou gerando uma situação onde o que, a princípio, era lacuna a ser preenchida, virou uma "cultura", hábito, e não contribuir regularmente com o Partido, para a maioria dos seus membros, passou a ser norma. Aquela letra "l" do artigo 9º, virou literalmente, letra morta.

Com o lançamento do Sistema Permanente de Contribuição do Militante, instalou-se uma viva discussão acerca da contribuição militante, e o Partido, através do carnê e de outros instrumentos, colocou nas mãos dos militantes cadastrados um mecanismo eficiente e simples, para que esse efetivasse sua contribuição.

O programa já completou o seu primeiro ano, e um dos pontos destacados do balanço desse período é que conseguimos colocar na "agenda" das discussões partidárias a questão da contribuição militante como uma questão político-ideológica, indicadora do grau de organicidade do nosso Partido e reveladora do grau de adesão ideológica para com o Partido por parte da militância.

A implantação do Sistema Permanente de Contribuição do Militante vem revelando-se uma complexa atividade partidária onde a mudança da "cultura" do não é necessário contribuir, para a de "é necessário contribuir" exige um grande tensionamento do coletivo partidário e um importante grau de mobilização das direções e bases. Neste segundo ano da implementação do Sistema Permanente de Contribuição do Militante, colocamos como alvo a integração de todos os membros de direção em todos os níveis no Sistema, além dos que já contribuem. Já foram enviados carnês, correspondências, realizados ativos e reuniões com Direções Estaduais. O processo de mobilização está deflagrado. Alguns Estados discutem organicamente o plano, traçam metas e tomam medidas, tais como: cartas mobilizadoras, telemarketing, reuniões de organismos de base, tudo com o objetivo de atingir as metas estabelecidas.

No último Ativo Nacional de Finanças, realizado em Brasília, discutiu-se exaustivamente essa atividade. Agora cabe "arregaçarmos as mangas" e levarmos em frente a sua implementação, que não tenho dúvida, irá mudar uma verdadeira cultura da não contribuição!

3. Divulgue
Divulgar nossa proposta política para setores amplos da população

Um partido produz idéias, teses, projetos, programas; elabora propostas para toda a sociedade, e não apenas para o coletivo partidário, para sua militância. Um partido como o nosso procura soluções para os graves problemas que afetam a convivência humana. Elas só serão efetivas, só poderão ser aplicadas, se houver amplo consenso a respeito de sua necessidade, de que elas são oportunas e que haja possibilidade de sua aplicação. Muitas vezes, necessidade e oportunidade andam juntas - os problemas fazem parte do cotidiano, incomodam a vida (e comprometem a sobrevivência) da ampla maioria das pessoas, e muitas vezes todos compreendem que é preciso encontrar soluções para eles. O que falta, na maioria das vezes, é a consciência - na população - da possibilidade de aplicar soluções comumente encaradas como utópicas, inatingíveis ou mesmo fora de propósito.

Este é o papel da divulgação - a difusão, entre as pessoas, de idéias capazes de resolver de forma radical os problemas que parecem insolúveis. Idéias que partem de uma vanguarda organizada, do Partido. Idéias que, por contraporem-se às idéias das classes dominantes, quase sempre parecem andar no contra-fluxo do sentimento geral mas que, quando divulgadas com criatividade, com clareza, levando-se em conta os ambientes humanos onde circulam, podem ser compreendidas e incorporadas aos instrumentos de luta das classes populares, dos democratas, dos nacionalistas, daqueles que defendem o progresso social.

As idéias centrais dos programas e documentos do Partido Comunista do Brasil são desse tipo e voltadas à divulgação dessa natureza. O Programa Partidário e o Programa Socialista para o Brasil objetivam a construção de um novo Brasil, justo e voltado para as necessidades de nosso povo. São documentos de natureza estrutural e, assim, permanentes. Há outros documentos, voltados à luta política imediata, conjuntural, à denúncia do neoliberalismo e do governo de traição nacional de Fernando Henrique Cardoso. Todos eles, voltados para o futuro ou para a luta imediata, partem de uma só concepção, a consciência da necessidade de mudanças profundas, de natureza revolucionária, na sociedade brasileira.

São essas idéias que, como sementes, só poderão frutificar se forem amplamente difundidas, contribuindo para forjar um novo consenso social, para criar a consciência de que os graves problemas nacionais só poderão ser resolvidos quando o povo tomar a história em suas mãos.

4. Estude
Militância exige estudo!
"A prática é a base do conhecimento, no entanto, é a teoria quegeneraliza a experiência, revela as leis objetivas em atuação edá ao homem a consciência da necessidade."(J. Amazonas, in Os desafios do socialismo no século XXI).

Os comunistas sempre se caracterizaram por seu amor ao saber. A militância no partido é, de certo modo, também a busca por ampliar o horizonte de nossos conhecimentos científicos e aquisições culturais. Isso constitui o alimento espiritual da luta em prol do socialismo científico. Dá-nos os conhecimentos indispensáveis acerca da luta de classes e impulsiona-nos à frente da luta dos trabalhadores e do povo, o que confere à militância política um papel de expansão da personalidade e das aptidões de cada um de nós. Somos mulheres e homens de cultura, dispostos a apreender criticamente o que de mais universal nos foi legado pela criação humana.

Estudar é o meio fundamental de adquirir os conhecimentos indispensáveis, em ligação com os desafios da luta em cada situação. Por isso, estudar e lutar, lutar e estudar, são elementos constitutivos de nossa militância. Quando se tem esses conhecimentos essenciais, aumenta a convicção no projeto emancipador, não somos levados como folhas ao vento em meio às tempestades da luta de classes, nem somos presa fácil do ativismo que tudo almeja e nada alcança.

Estudar parece difícil – e de fato o é, no início. É a batalha por escalar as montanhas escarpadas do saber. Mas se se têm consciência de sua importância, com vontade, prática e ajuda coletiva, se transforma num saudável hábito. Como todas as atividades humanas, quanto mais organizado, mais eficientes os resultados. Então, o estudo se beneficia de estabelecer objetivos e metas razoáveis, meios adequados a cada um, conforme seu ponto de partida. Afinal, que dificuldade insuperável pode haver, na vida de um militante, dedicar, digamos, 2, 3 ou 5 horas semanais voltadas especificamente a uma leitura planejada? Pode-se perceber que, ao longo de um ano, muito progresso terá sido alcançado desse modo.
O valor fundante da condição de comunista se encontra na teoria formulada por Marx e Engels, desenvolvida por Lênin e outros revolucionários. Aí estão os pilares da ciência social avançada. São obras clássicas, que concentram os fundamentos científicos e ideológicos de nossa concepção da vida e da história da luta de classes. Mas eles não são tudo: exigem desenvolvimento criador aplicado à realidade do Brasil e do mundo neste fim de século. Por isso, é preciso estudar também os fundamentos de nossa formação econômica e social, conhecer os elementos formadores de nossa pátria e da rica experiência de luta de nosso povo. Essa é uma importante forma de desenvolver o marxismo, fazendo-o corresponder à nossa realidade contemporânea e às exigências reais de emancipação dos brasileiros. Os documentos partidários são o principal manancial da análise marxista-leninista sobre a realidade brasileira. São um tesouro ao alcance de todos nós, já que fomos todos nós que os aprovamos em nossas instâncias de direção. Estão aí para serem estudados com regularidade e freqüência.

Já se vislumbra os primeiros alvores de que a terrível onda neoliberal encontrará resposta dos trabalhadores e dos povos. Precisamos preparar o partido para grandes embates que virão, retomando o ideal socialista renovado em meio à tendência transformadora que crescerá. A hora é propícia para estudar mais e mais, para enriquecer a luta com perspectivas mais elevadas. É felicíssima a iniciativa da campanha realizada no Partido. Orientações práticas já estão sendo dadas pela Comissão Nacional de Formação. Tomemos em nossas mãos o desafio.

"Automovelcracia II": Liturgia do divino motor",


São os automóveis que outorgam identidade às pessoas Com de Deus de quatro rodas acontece aquilo que costuma acontecer com os deuses: nascem a serviço das pessoas, mágicos conjuros contra o medo e a solidão, e acabam pondo as pessoas a seu serviço. A religião do automóvel, que tem seu vaticano nos Estados Unidos da América, tem o mundo de joelhos a seus pés.


Seis, seis, seis - A imagem do Paraíso: todo norte-americano possui um carro e uma arma de fogo. Os Estados Unidos detém a maior concentração de automóveis e também o mais numeroso arsenal de armas num único país, os dois negócios básicos da economia nacional. Seis, seis, seis: de cada seis dólares gastos pelo cidadão médio, um é consagrado ao automóvel; de cada seis horas de vida, uma é dedicada a viajar de carro ou a trabalhar para pagá-lo; e de cada seis empregos, um está direta ou indiretamente ligado ao automóvel, e outro está direta ou indiretamente ligado à violência e suas indústrias.


Quanto mais gente os automóveis e as armas assassinarem, e quanto mais natureza eles destruírem, mais crescerá o Produto Interno Bruto. Como bem diz o pesquisador alemão Winfried Wolf, em nosso tempo, as forças produtivas transformaram-se em forças destrutivas. Talismãs contra o desamparo ou convites ao crime? A venda de carros é simétrica à venda de armas, e bem se poderia dizer que faz parte dela: os acidentes de trânsito matam e ferem, a cada ano, mais norte-americanos do que todos os norte-americanos mortos e feridos ao longo da Guerra do Vietnã, e a carteira de motorista é o único documento necessário para qualquer um comprar uma metralhadora, e com ela cozinhar à bala toda a vizinhança.


A carteira de motorista não é apenas usada para estes fins; ela também é imprescindível para pagamentos com cheques ou para sacá-los, para fazer um trâmite burocrático ou para assinar um contrato. Nos Estados Unidos, a carteira de motorista serve como documento de identidade. Os automóveis outorgam identidade às pessoas.


Os aliados da democracia - O país conta com a gasolina mais barata do mundo, graças aos presidentes corruptos, aos xeques de óculos escuros e aos reis de opereta que se dedicam a malvender petróleo, a violar direitos humanos e a comprar armas norte-americanas. A Arábia Saudita, por exemplo, que aparece nos primeiros lugares das estatísticas internacionais pela riqueza de seus ricos, pela mortalidade de suas crianças e pelas atrocidades de seus verdugos, é o principal cliente da indústria norte-americana de armas.


Sem a gasolina barata fornecida por estes aliados da democracia, o milagre não seria possível: nos Estados Unidos, qualquer um pode ter um carro e muitos podem trocá-lo freqüentemente. E se o dinheiro não for suficiente para o último modelo, já estão à venda aerosóis que dão aroma de nova àquela velharia comprada três ou quatro anos antes, àquele autossauro.


Dizes que carro tens e eu te direi quem és e quanto vales. Esta civilização que adora carros tem pânico da velhice: o automóvel, promessa de juventude eterna, é o único corpo que pode ser trocado.


A gaiola - A esse outro corpo, o de quatro rodas, é dedicada a maior parte da publicidade na televisão, a maior parte das horas de conversa e a maior parte do espaço das cidades. O automóvel dispõe de restaurantes para se alimentar de gasolina e óleo, e tem a seu serviço farmácias para comprar remédios, hospitais para ser examinado, diagnosticado e curado, dormitórios para dormir e cemitérios para morrer.


Ele promete liberdade às pessoas; por alguma razão as estradas são chamadas de freeways, caminhos livres, e no entanto atua como uma gaiola ambulante. O tempo de trabalho humano foi reduzido em pouco ou nada, e porém ano após ano aumenta o tempo necessário para ir e voltar ao trabalho, devido ao trânsito atolador, que nos obriga a avançar penosamente e às cotoveladas.


Vive-se dentro do automóvel e ele não larga do nosso pé. Drive by shooting sem sair do carro, à toda velocidade, pode-se apertar o gatilho e disparar a esmo, como está em voga nas noites de Los Angeles.


Drive thru teller, drive by eating, drive in movies: sem sair do carro pode-se sacar dinheiro do banco, comer hambúrgueres e assistir a um filme. E sem sair do carro pode-se contrair matrimônio, drive in marriage: em Reno, Nevada, um casal passa com o seu automóvel por baixo de arcadas de flores de plástico; numa janelinha aparece a testemunha e na outra o pastor, que os declara marido e mulher, bíblia nas mãos e, na saída, uma funcionária ornamentada de asas e auréola entrega a certidão de casamento e recebe a gorjeta, chamada de love donation.


O automóvel, corpo renovável, tem mais direitos que o corpo humano, condenado à decrepitude. Os Estados Unidos da América empreenderam, nestes últimos anos, a guerra santa contra o demônio do fumo. Nas revistas, a publicidade dos cigarros aparece atravessada por obrigatórias advertências à saúde pública. Os anúncios advertem, por exemplo: "A fumaça do cigarro contém monóxido de carbono". Mas nenhum anúncio de automóveis adverte que muito mais monóxido de carbono contém a fumaça dos automóveis. As pessoas não podem fumar. Os carros, sim.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Fé, blogueiros e o meu escapulário


Durante uma conversa com dois amigos blogueiros sobre fé, religião e espiritualidade, um deles questionou-me, aliás, os dois me questionaram, sobre o fato de eu usar um escapulário para eu me proteger das setas malignas como inveja, mal olhado, entre outras artimanhas do inimigo.

Disse aos dois amigos que tenho uma relação muito pessoal e própria com Deus, pois, além de ter nascido em São José de Ribamar, já foi evangélico da Assembléia de Deus e conheço algumas coisas sobre religião, a importância da fé em Jesus, mas que isso não impede de eu procurar outras fontes de proteção, luz e espiritualidade.

Os dois discordaram evocando passagens bíblicas onde fala de Jesus Cristo como o único caminho para chegar até Deus, e lembraram-me do fato de eu ter sido evangélico, de “já ser conhecedor da Palavra”.

Em primeiro lugar, nunca fui sectário em nada na minha vida, inclusive no que diz respeito à religiosidade. Sempre tive uma visão ecumênica da fé, pois entendo que religião (do latim religaire, religar o ser humano a Deus) é algo extremamente importante para ficar ao sabor dos ditames de uma única doutrina, de uma única fé religiosa.

Nesse sentido, sou praticante de uma fé libertadora, o meu Deus não é monopólio da minha concepção sobre a vida, a morte e a pós-morte. Tenho em Jesus a minha principal referência e fonte de fé, mas não posso deixar de reconhecer que outras doutrinas religiosas, tais como budismo, islamismo, hinduísmo etc, têm as suas virtudes e merecem e podem de alguma forma, ser aproveitadas para enriquecer o cristianismo.

Por isso, meus dois caros amigos blogueiros, ao usar o meu escapulário não estou recorrendo a algo estranho ou herege ao cristianismo. Além do que, o meu escapulário foi um presente que recebi de uma amiga e está me fazendo muito bem enquanto um símbolo que me liga a Deus. Assim eu sinto.

Não faço desse símbolo, claro, um instrumento de adoração, mas ele me faz sentir bem, e são as minhas orações a Deus que realmente alimenta a minha alma e cobre o meu corpo das flechas do inimigo.

Eu e Deus nos entendemos muito bem e não será um objeto como o meu escapulário que fará com que não o tenha e não o adore como o “Caminho, a Verdade e a Vida”.

sábado, 26 de setembro de 2009

Dia Internacional Sem Carro

No último dia 22, terça-feira, foi promovido o Dia Internacional Sem Carro, movimento lançado há seis anos na Europa para, segundo os organizadores, promover a qualidade de vida nas cidades.

O blog cometeu o grave erro de ter deixado passar batida essa importante data. Vou tentar me redimir com vocês publicando três artigos de autoria do escritor Eduardo Galeano onde, como sempre, aborda de forma magistral a problemática do trânsito nas grandes cidades. São três artigos denominados "A automovelcracia". Abaixo, o de número I.


A automovelcracia I: o carro domina nossa razão e nossa emoção.

Sequestro dos fins pelos meios: o supermercado o compra, o televisor lhe assiste, o automóvel o dirige. Os gigantes que fabricam automóveis e combustíveis, negócios quase tão rentáveis quanto armas e drogas, convenceram-nos de que o motor é o único prolongamento possível do corpo humano. Em nossas cidades, submetidas à ditadura do automóvel, a grande maioria das pessoas não tem outra alternativa a não ser pagar para viajar, como sardinhas em lata, num transporte público destrambelhado e insuficiente.

A sociedade de consumo, oitava maravilha do mundo, décima sinfonia de Beethoven, impõe-nos sua simbologia de poder e sua mitologia de ascensão social. "O carro é seu melhor amigo", informa um anúncio. A vertigem sobre rodas o fará feliz: "Viva uma paixão!", oferece outro anúncio. A publicidade o convida para entrar na classe dominante acessando a chavinha mágica que liga o motor: "Imponha-se!", ordena a voz que dita as ordens do mercado, e também: "Demonstre que você tem personalidade!". E, se não me falha a memória da infância, se você colocar um tigre no tanque, você será o mais rápido e o mais poderoso de todos, e passará por cima de quem atrapalhar o seu caminho em direção ao sucesso.

A linguagem fabrica a realidade ilusória que a publicidade precisa para vender seus produtos. Mas ocorre que, na realidade real, os instrumentos criados para multiplicar a liberdade contribuem para nos encarcerar. O carro, essa máquina de ganhar tempo, devora o tempo humano. Nascido para nos servir, coloca-nos a seu serviço: ele nos obriga a trabalhar mais e mais horas para poder alimentá-lo, rouba nosso espaço e envenena nosso ar.

Em nome da liberdade de empresa, da liberdade de circulação e da liberdade de consumo, o ar urbano tornou-se irrespirável. O carro não é o único culpado pela agressão cotidiana ao ar no mundo, mas é quem mais diretamente ataca os habitantes das cidades. As ferozes descargas de chumbo que se enfiam no sangue, agredindo os nervos, o fígado e os ossos, têm efeitos devastadores principalmente no hemisfério sul, onde não são obrigatórios os catalizadores nem a gasolina purificada. Conforme denunciam os ecologistas, em Santiago do Chile, cada criança que nasce aspira o equivalente a sete cigarros diários e uma em cada quatro crianças sofre de alguma forma de bronquite. O que é a ecologia? Um táxi pintado de verde?

Na Cidade do México, os táxis pintados de verde são chamados de táxis ecológicos e chamam-se de parques ecológicos as poucas árvores de cor doentia que sobrevivem ao assédio dos carros. Numa publicação oficial, as autoridades da capital mexicana difundiram alguns conselhos ecológicos que parecem ter sido inspirados pelos mais sombrios profetas do apocalipse.

A Comissão Metropolitana de Prevenção e Controle da Contaminação Ambiental recomenda textualmente aos habitantes da cidade que "permaneçam o menor tempo possível ao ar livre, mantenham fechadas portas e janelas e não pratiquem exercícios das 10 às 16 horas" nos dias muito poluídos, que são quase todos.

Segundo relatam os estudiosos de antiguidades gregas. a cidade nasceu como um lugar de encontro das pessoas. Há espaço para as pessoas nestas imensas garagens? Pouco antes da publicação desses conselhos ecológicos, saí caminhando pelas ruas da Cidade do México. Andei quatro horas entre motores que rugiam. Sobrevivi. Meus amigos me deram boas-vindas emocionados, mas me recomendaram um bom psiquiatra.

Os automóveis matam uma multidão, a cada ano, no mundo inteiro. Em muitos países, as estatísticas são duvidosas, ou inexistentes ou não estão atualizadas. As últimas estimativas globais disponíveis (do Worldwatch Institute, de Washington) indicam que mais de 250 mil pessoas morreram em acidentes de trânsito em 1985. Nem a guerra do Vietnã matou tanta gente em apenas um ano.

No mundo inteiro, o trânsito é a primeira causa de morte entre os jovens, acima de qualquer doença, droga ou crime. Uma enorme campanha internacional de propaganda, com nuances francamente terroristas, adverte diariamente aos jovens sobre os riscos do sexo em tempos de Aids. Por que não fazer uma campanha semelhante acerca dos perigos do automóvel? A carteira de motorista equivale à licença de porte de armas?

Andar de bicicleta pelas ruas das grandes cidades latino-americanas, que não têm ciclovias, é a forma mais prática de se suicidar. Nos países do sul do planeta, onde as normas existem para serem violadas, há muito menos carros do que nos países do norte, porém matam muito mais.

Porque os latino-americanos que não têm nem terão carro próprio - a imensa maioria não pode nem poderá comprá-lo - continuam condenados a aguardar nas esquinas, sem outro remédio a não ser esperar os escassos ônibus? Por que não abrir, antes que se já tarde, ciclovias protegidas nas avenidas e ruas principais?

Os carros não votam, mas os políticos têm pânico de provocar-lhes o mínimo desgosto. Nenhum governo latino-americano atreveu-se a desafiar o poder motorizado. É verdade que recentemente Cuba se encheu de bicicletas, mas isso não aconteceu durante os trinta e tantos anos de revolução. A bicicleta aparece maciçamente em Cuba quando não há outro remédio, porque não sobra uma gota de petróleo: não como uma alegria desfrutável, mas como uma calamidade inevitável.

Nem sequer as revoluções, às quais ninguém poderia negar o desejo de mudança, propuseram-se a pôr em prática esta singela maneira de diminuir a dependência das onipotentes empresas que dominam o negócio do transporte e do petróleo no mundo. Não existe pior colonialismo do que aquele que nos conquista o coração e nos apaga a razão.

Jackson Lago acerta ao fazer autocrítica


Ao contrário do que tenta passar os blogueiros e jornalistas do sistema Mirante, o governador Jackson Lago acerta ao fazer algumas autocríticas referentes ao seu governo. Isso não o apequena e muito menos agride ou constrange os seus aliados.

Lembro que no dia que em que deixou o Palácio dos Leões, Jackson Lago fez um discurso que já apontava na direção de reconhecer erros e equívocos, além de apontar um novo horizonte político de maior aproximação com os aliados. “Precisamos está mais próximos”, disse à época.

Ontem, durante evento do PDT, concorridíssimo, diga-se de passagem, o governador Jackson voltou afirmar essa necessidade dos aliados estarem mais próximos.

Ele tem dito que a experiência, não muito feliz, de montar um governo com base no resultado do segundo turno das eleições de 2006, tem sido o principal motivo de defender a tese da candidatura única das oposições já para o primeiro turno, em 2010.

Entende o governador, que os entendimentos, a formulação de um projeto para o Maranhão, enfim, um plano de governo, é melhor de ser trabalho mo primeiro turno das eleições, pois assim os pontos ficam mais claros e futura equipe de governo ganha em termo s de qualidade.

Nesse sentido, as declarações do governador Jackson Lago são importantes para que, não somente os aliados, mas o conjunto da sociedade, conheçam os pontos de estrangulamentos do governo deposto.

Reconhecer erros, portanto, é gesto nobre do governador Jackson Lago. O que não de se estranhar, posto a sua grandeza política e sua biografia enquanto homem de luta e de defesa das boas causas que dão sentido à vida.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O Humanismo I

As origens

O Humanismo, estudo da antiga cultura greco-romana, "que podia tornar o homem verdadeiramente humano", surgiu, na Itália, no século XIV, favorecido pelo progresso econômico das cidades italianas, dominadas por uma rica burguesia, interessadas nas letras e nas artes. Seus principais centros eram Florença, Veneza e Roma. Os primeiros humanistas foram:


Francisco Petrarca (1304-1374) Florentino, o "Pai do Humanismo", grande filósofo, estudou as obras de Cícero, Virgílio e Horácio. Descobriu as "Cartas" de Cícero e as "Instituições Oratórias" de Quintiliano. Foi o primeiro grande humanista do Renascimento e um dos italianos de maior prestígio do seu tempo. Foi encarregado pelos papas de importantes missões diplomáticas.


Deixou numerosas obras em Latim, poemas e epístolas, entre as quais destacam-se "África", poemas sobre a segunda Guerra Púnica, em louvor a Públio Cornélio Cipião, O Africano, e "sonetos, canções e cânticos" que compôs em honra da bela Laura de Noves e que, pela beleza e pureza da forma, contribuíram para fixar o idioma italiano.


João Boccaccio (1313-1375) Poeta, prosador, humanista latino, nasceu em Paris. Escreveu em latim e em italiano, poesias, romances bucólicos e contos. Suas obras mais importantes são: "Decamerão", obra de grande valor, por vezes silenciosa, que fixou e enriqueceu a língua italiana, e "Da Genealogia dos Deuses", um dos mais completos estudos sobre a mitologia greco-romana.


A expansão do Humanismo. O Humanismo desenvolveu-se de modo notável e atingiu o apogeu na Itália, no século XV, devido a vários fatores, entre os quais destacam-se: a proteção dos mecenas; a fuga dos sábios bizantinos para a Itália; a invenção da imprensa. Da Itália expandiu-se pela Europa, onde apareceram escritores famosos que marcam o apogeu do Humanismo:


Erasmo de Roterdã (1460-1536) Desidério Erasmo, holandês, sábio, literato e filósofo, "Príncipe dos Humanistas", foi o maior humanista do Renascimento. Era profundo conhecedor da cultura greco-romana. Foi conselheiro do Imperador Carlos V. Escreveu "Adágios", "Colóquios" e a mais celebre de todas: "Elogio da Loucura", criticando os costumes, as superstições, a ignorância e o fanatismo dos seus contemporâneos.


Thomas Morus (1478-1535)


Grande chanceler da Inglaterra no reinado de Henrique VIII, escreveu "Utopia". Foi decapitado por ter-se conservado fiel ao catolicismo e não querer aceitar o poder espiritual do rei. Foi canonizado em 1935.


Tomás Campanella (1568-1639)


Padre dominicano e filósofo, combateu a Escolástica e preconizou o método experimental. Esteve preso 27 anos por suas idéias avançadas. Escreveu a obra "A Cidade do Sol".


João Luís Vives (1492-1540)


Grande humanista espanhol, amigo e discípulo de Erasmo. Lecionou na Sorbonne e em Oxford. Escreveu sobre Filosofia, Teologia, Moral e Pedagogia. Foi professor de Maria Tudor, filha de Henrique VIII. Escreveu "Instrução da Mulher Cristã".

O que me encanta...

O que me encanta é o sorriso da criança, do jovem, do velho.

O que me encanta é o leão solto nas savanas africanas.

O que me encanta é o urso polar no extremo norte.

O que me encanta é exuberância da Amazônia.

O que me encanta é a tranquilidade da Antártica...

O que me interessa é a preocupação do homem pelo encanto dessas coisas.

Dutra admite candidatura ao governo pelo PT

O presidente estadual do PT, deputado Domingos Dutra, admitiu nesta manhã que poderá concorrer ao cargo de governador nas eleições de 2010.

Dutra afirmou que já vinha defendendo essa posição desde a última reunião do diretório estadual, quando sugeriu que, além do seu nome, o partido apresentasse o de Bira do Pindaré e o da ex-deputada federal Terezinha Fernandes.


A decisão de Dutra em colocar o seu nome para governador fortalece a tese da candidatura próprio do PT, hoje defendida abertamente por Rodrigo Comerciário. O ex-candidato a prefeito de São Luis e atual candidato a presidente estadual do PT, Rodrigo é um dos maiores entusiastas da candidatura própria do PT ao governo do Maranhão.


Para Rodrigo Comerciário, não tem sentido o PT ficar fazendo eternamente o papel de “muleta” de outros projetos, seja de qual partido for. Dessa forma, a pré-candidatura de Dutra ou de outras que eventualmente possam aparecer, tende a enfraquecer movimentos que sonham em levar o PT para uma coligação conservadora com o PMDB maranhense ou mesmo com outros partidos, mesmo do campo da esquerda, mas que não possuem a militância e a base que social que o PT possui.


O fato que a disposição de Dutra em concorrer ao governo do Maranhão coloca outros ingredientes na corrida pelo Palácio dos Leões. O PT passa a ser ator de fato e de direito e pode dá uma contribuição importante para o processo eleitoral no campo das oposições.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Metáfora da Noite

Especialmente para uma grande e inesquecível amiga que ACREDITOU E AGIU. Parabéns, amiga.

Acreditar E Agir

Um viajante caminhava pelas margens de um grande lago de águas cristalinas e imaginava uma forma de chegar até o outro lado, onde era seu destino.

Suspirou profundamente enquanto tentava fixar o olhar no horizonte. A voz de um homem de cabelos brancos quebrou o silêncio momentâneo, oferecendo-se para transportá-lo. Era um barqueiro.

O pequeno barco envelhecido, no qual a travessia seria realizada, era provido de dois remos de madeira de carvalho. O viajante olhou detidamente e percebeu o que pareciam ser letras em cada remo. Ao colocar os pés empoeirados dentro do barco, observou que eram mesmo duas palavras. Num dos remos estava entalhada a palavra ACREDITAR e no outro AGIR.

Não podendo conter a curiosidade, perguntou a razão daqueles nomes originais dados aos remos. O barqueiro pegou o remo, no qual estava escrito ACREDITAR, e remou com toda força.

O barco, então, começou a dar voltas sem sair do lugar em que estava. Em seguida, pegou o remo em que estava escrito AGIR e remou com todo vigor. Novamente, o barco girou em sentido oposto, sem ir adiante.

Finalmente, o velho barqueiro, segurando os dois remos, movimentou-os ao mesmo tempo e o barco, impulsionado por ambos os lados, navegou através das águas do lago, chegando calmamente à outra margem.

Então o barqueiro disse ao viajante:

- Este barco pode ser chamado de AUTOCONFIANÇA. E a margem é a META que desejamos atingir. Para que o barco da autoconfiança navegue seguro e alcance a meta pretendida, é preciso que utilizemos os dois remos ao mesmo tempo e com a mesma intensidade: ACREDITAR e AGIR.

Boa noite a todas e a todos. Até amanhã.
"What A Wonderful World" (Louis Armstrong): http://www.youtube.com/watch?v=lxRt3iDNahE

Por que um novo blog

Já vinha há tempos trabalhando a ideia de contruir um novo blog, na verdade um blog alternativo ao nosso hospedado, com muita honra, no Portal do Jornal Pequeno.

É que no JP há algumas regras que devem ser seguida por se tratar de um espaço empresarial, ou seja, há uma linha de atuação que em algumas situações podem exigir que a direção do jornal nos recomende a não publicação de algumas matérias, posto que há riscos da empresa ser processada pelos nossos adversários políticos, como de fato já acontece.

Nesse sentido, ao criar um blog neste espaço ficamos mais à vontade para escrevermos o que bem entendermos se, é claro, baixar o nível do debate e muitos agradir quem quer que seja.

Mas este blog tem uma missão especial: possibilitar aos leitore e às leitoras um espaço qualificado de discussões rigorosamente humanista no sentido renascentista do "homem como a medida de todas as coisas".

Também possui uma visão: ser um fórum de discussões e debates conhecido e reconhecido na internet.

Tem princípios? Claro, são eles: ética, parceria, cooperação, respeito, transparência e cidadania.

Este blog não tem a pretenção de ser o melhor, deseja tão somente ser diferente. A princípio seria chamado de "Blog dos Abraços", numa referência ao um livro de mesmo nome, cujo autor é Eduardo Galeano, patrono deste blog.

Mas, infelizmente um outro admirador de Galeano chegou na frente e pôs o nome do seu blog o mesmo que havia pensado, ou seja, "blog dos abraços". Mas sem problemas. Trago para todos o "Blog Utopia Errante", que apresento parodiando as palavras do editor do Livro dos Abraços:

" Acesse este blog com cuidado: ele é delicado e afiado como a própria vida. Pode afagar, pode cortar. Mas seja como for, como a própria vida, vale a pena".
Muito obrigado e apareçam, sempre!
Robert Lobato